Case Kalshi: Como Luana Lopes estruturou vendas complexas
Uma análise detalhada da estratégia de vendas que impulsionou o crescimento da Kalshi.
O mundo dos negócios B2B vive de incertezas: ciclo de vendas longo, múltiplas interações, muitas variáveis externas e internas — o que dificulta prever fechamentos, receita, demanda e rentabilidade.
Mas e se existisse uma forma de dar aos gestores B2B o que o mercado financeiro já faz há anos: transformar apostas sobre o futuro em probabilidades embasadas, dados concretos, tomadas de decisão?
É aí que a história da Kalshi e de Luana Lopes Lara entra como um exemplo inspirador — e ao mesmo tempo uma metáfora poderosa: se até o mercado financeiro e investidores de risco já aprenderam a “precificar o futuro”, por que as empresas B2B continuariam apostando em achismos e suposições?
O que é Kalshi e por que o mundo está falando disso
A Kalshi é uma “exchange” americana de mercados de previsão — ou seja, não negocia ações ou commodities tradicionais, mas contratos cujo valor final depende da realização (ou não) de um evento futuro real.
O funcionamento é simples: os contratos têm como resultado “sim” ou “não”. Se o evento ocorrer, o contrato paga US$ 1; se não, vale zero. O preço do contrato antes da liquidação representa a probabilidade do evento ocorrer, segundo o mercado.
Os eventos podem ser os mais variados: de indicadores econômicos (como inflação), decisões macro (juros, PIB), clima, eleições, questões climáticas, até premiações, esportes ou resultados culturais.
A grande virada da Kalshi é que ela é regulada pela agência americana Commodity Futures Trading Commission (CFTC), o que dá legitimidade institucional a esse tipo de negociação, algo inédito no segmento de “mercados de previsão”.
Recentemente, com seu crescimento e adoção institucional, a Kalshi se tornou um símbolo global de como informação e expectativa podem ser transformadas em valor real — o que atraiu atenção massiva da mídia, investidores e grandes players financeiros.
Em outras palavras: o mundo que antes “apostava” agora “precifica”. E essa mudança de paradigma é exatamente o que empresas B2B deveriam olhar com atenção.
Quem é Luana Lopes Lara: inspiração e prova de que inovação dá resultado
Luana Lopes Lara é brasileira e cofundadora da Kalshi. Com a valorização crescente da empresa, ela se tornou a bilionária mais jovem do mundo sem herança, segundo estimativas de 2025.
Sua trajetória reforça a tese de que é possível conceber algo disruptivo, global, regulado e relevante a partir de uma visão de mercado — e transformar incertezas em valor. É um case de empreendedorismo, inovação e visão estratégica.
Para o universo B2B, Luana representa mais do que sucesso financeiro: ela simboliza uma mentalidade orientada a dados, a probabilidades e a valor real, algo que deveria transcender startups e finanças — e entrar no cotidiano de gestores que vendem serviços e produtos complexos.
O paralelo: mercados de previsão ↔ previsibilidade em vendas B2B
Por que previsibilidade importa no B2B
A previsibilidade de vendas permite planejar recursos, evitar desperdícios, ajustar estratégias e reduzir riscos — essencial em ciclos longos e complexos. Métodos de forecast estruturados (baseados em dados, histórico, análise de funil e probabilidades) tendem a ser muito mais eficazes do que “achismos” ou estimativas subjetivas.
Quando implementados corretamente, modelos estatísticos ou preditivos melhoram a precisão da previsão e ajudam a empresa a reagir antecipadamente a tendências de mercado — reduzindo surpresas negativas.
O que o modelo da Kalshi ensina às empresas B2B
Nos mercados de previsão, cada contrato é avaliado em “probabilidade” — o preço reflete coletivamente a expectativa de um evento. Isso elimina “achismos” e traz transparência quantitativa. Para B2B, isso equivale a estimar “probabilidade de fechamento”, “probabilidade de churn”, “chance de um lead virar cliente”, de modo contínuo e dinâmico.
A inteligência de mercado (sentimento, macroeconomia, variáveis externas) se transforma em dados mensuráveis. Para vendas B2B, isso significa considerar fatores externos (economia, demanda, concorrência) dentro do forecast — e não apenas histórico interno.
A mentalidade orientada a dados e risco muda o jogo: em vez de “vamos torcer para que o trimestre dê certo”, empresas passam a agir com base em probabilidades, ajustam recursos, alocam orçamento, decidem contratações e planejam com base em cenários.
Ou seja: o que a Kalshi faz para eventos públicos, sua empresa pode fazer internamente para vendas, contratos, expansão, retenção — com muito mais controle e previsibilidade.
Dados e evidências que reforçam a tese
Estudos sobre forecast de vendas mostram que empresas que adotam modelos estatísticos para previsão obtêm resultados mais previsíveis e têm menor erro de previsão comparado a métodos “manuais”.
A adoção de previsibilidade como vantagem estratégica no B2B permite planejamento de recursos, ajuste de funil, gestão de pipeline e melhor coordenação entre equipes de marketing e vendas.
O crescimento dos mercados de previsão em 2025 reforça a aceitação global desse tipo de “forecast”: dados coletivos + liquidez + regulamentação. Isso aumenta o respeito institucional e a confiança como instrumento de decisão. Esses dados trazem autoridade ao argumento: não se trata de “modinha”, mas de boas práticas com resultados documentados.
"Se mercados financeiros estruturados, regulados e com milhares de participantes já transformaram expectativas em probabilidades mensuráveis, por que empresas B2B ainda operam com palpite?"
Empresas que adotam previsibilidade orientada a dados — e tratam suas vendas como um “mercado interno de contratos de resultados” — transformam incertezas em decisões estratégicas, mitigam riscos e potencializam crescimento.
Essa é a virada cultural que o universo B2B brasileiro (e global) precisa — e a trajetória da Kalshi e de Luana Lopes Lara serve de inspiração e prova de que funciona.
Como aplicar a “filosofia Kalshi” no seu negócio B2B — roadmap prático
1. Mapeie seu pipeline de vendas como um conjunto de “eventos futuros”
Cada proposta enviada, cada lead quente, cada negociação é um “contrato de probabilidade” — avalie a probabilidade real de fechamento.
2. Use dados históricos + fatores externos + variáveis contextuais
Leve em conta histórico de conversão, tempo médio de fechamento, taxa de churn, perfil de cliente, contexto econômico/mercado, sazonalidade. Essas variáveis podem formar um “forecast robusto”.
3. Adote modelos de previsão + métricas claras
Use técnicas de forecast tradicionais ou até modelos estatísticos / machine learning para estimar resultados. Empresas que fazem disso aumentam a assertividade da previsão. Monitore a “precisão do forecast” (forecast accuracy) — quanto seus resultados reais se aproximam das previsões. Quanto menor o erro, mais confiável o forecast.
4. Revise e ajuste probabilidades conforme cenário muda
Conforme o mercado muda, conforme novos dados surgem, ajuste as probabilidades. Tal como nos mercados de previsão, a ideia não é “apostar e esquecer”, mas “acompanhar e ajustar”.
5. Use previsibilidade como diferencial competitivo e argumento de venda
Empresas que vendem com base em dados inspiram mais confiança — para investidores, sócios e clientes. Internamente, prever melhor receita ajuda a planejar crescimento, equipe, investimentos e evitar surpresas desagradáveis.
Conclusão — O futuro do B2B pode (e deve) aprender com Kalshi
O sucesso da Kalshi e de Luana Lopes Lara mostra que não é preciso ser uma grande fintech para transformar expectativas em valor real — é preciso visão, dados e coragem para apostar no futuro com base em probabilidades.
Para empresas B2B, adotar uma mentalidade de “previsão estratégica” pode ser a diferença entre crescimento caótico e crescimento sustentável — entre vender no escuro e vender com clareza, controle e estratégia.
Se você deseja levar sua consultoria, seu negócio ou seu time de vendas para o próximo nível, pode começar adotando: mais dados, mais previsibilidade, mais estratégia.

Uillen Machado
Fundador e CEO
Especialista em estruturação de máquinas de vendas B2B. Ajudo empresas a saírem do "Founder Sales" e construírem processos previsíveis e escaláveis.
